Honestamente, não me considero a melhor pessoa para te ensinar a ser criativa, eu já nasci maluca. E nem sabia que ser assim (maluca ou criativa) era uma coisa boa, só percebi quando comecei a ganhar elogios e dinheiro com isso, no meu primeiro estágio. A minha chefe pediu para eu dar um up no instagram da empresa, e foi o que eu fiz.
Na verdade o que aconteceu foi que ela me pediu, eu disse que sim, esqueci que tinha dito que sim e fui festar no final de semana com meus amigos (bebemos muita vodka de maça verde com energético) e na segunda-feira de manhã me lembrei que precisava apresentar a nova estratégia para o instagram da empresa.
Levantei da cama, peguei um bloquinho de papel e deixei as ideias fluírem. Em cinco minutos eu tinha um tom de voz, identidade visual, e cinco ideias para postagens (o suficiente para dar aquele up e começar a testar formatos).
Pasmem: A estratégia funcionou e colegas de turma mandaram mensagem dizendo “você assumiu o instagram daquela empresa, neh. É tudo muito criativo, a sua cara”.
E eu pensando: Meu Deus, como cheguei aqui, eu só tenho cinco anos.
Aparentemente, minhas ideias eram MUITO fora da caixa, o que me deixava confusa já que eu literalmente usei dois neurônios para pensar em toda a estratégia.
Isso fazia eu me sentir muito culpada também.
Era tão fácil!
Então nem todo mundo pensava assim?
Quando eu avisei minha chefe que iria embora da cidade depois da formatura, ela ficou triste e me perguntou como fazia para achar outra pessoa como eu. Quais eram os sinais, os trejeitos de uma mente criativa, e eu só queria dizer bem assim pra ela: mulher é que eu sou doida.
Fui embora da cidade, daquele estágio, trabalhei em outros lugares, e comecei a notar O QUE as pessoas notavam em mim. Entendi os trejeitos, os mistérios, o motivo de me acharem criativa (e esquisita), e às vezes até afrontosa, nem todo mundo gosta de alguém que traz muitas mudanças, sabe.
Mas enfim, agora eu consigo responder essa pergunta, SEI como pessoas criativas pensam e agem, o que vem a calhar já que o mundo está acabando, neh. Claramente não tem muita gente pensando em formas criativas disso não acontecer. E assim: eu não consigo salvar o mundo sozinha, mas consigo compartilhar quais são as loucuras que me fazem uma pessoa criativa (e com um pouco de sorte, isso vai despertar a criatividade das pessoas que de fato conseguem salvar o mundo).
A primeira regra é: você precisa desistir dessa coisa de parecer inteligente.
Quanto mais inteligente você quiser parecer, menos criativo você vai ser.
Isso porque existe uma pretensão, muito ego e cerveja artesanal nessa coisa de parecer qualquer coisa.
Tentar parecer estraga tudo.
A criatividade está na diferença, no esquisito, no espontâneo, no contraste.
Eu sei, eu sei, a vida adulta não é fácil e PARECER é metade de todo o trabalho. Tipo, quando você está no seu trabalho em pânico, mas precisa fingir que você SABE o que está fazendo porque de alguma forma VOCÊ se tornou o ÚNICO PROFISSIONAL contratado para aquela função?
Pois é, a criatividade odeia esse fingimento todo, ela vai fugir de você (confia em mim). Então respira fundo e tira aí esse casaco costurado com fios de orgulho, ego e pretensão.
Já tirou?
Ótimo, AGORA as coisas vão começar a melhorar.
Porque quando você desiste de parecer inteligente você pode ler um livro desconhecido, amar um artista de rua, conversar com um mendigo que vai te dar uma ideia, assistir uma série péssima e dar risada, compartilhar seu wrap up do spotify sem vergonha das pessoas verem o que você está ouvindo, porque a vibe é “olha, eu ouvi um monte de coisas aleatórias esse ano, foi incrível”.
E nesse meio tempo, a fada da criatividade vem, e te dá uma ideia genial para uma campanha, uma nova empresa, uma nova forma de viver, e você deslancha e depois fica se perguntando COMO conseguiu fazer aquilo.
Na verdade, as pessoas ao seu redor vão te perguntar como você conseguiu, e às vezes nem você vai saber, porque você só deixou de fingir e isso abriu TANTO… ESPAÇO!
É claro, esse é só o primeiro passo, quando as ideias chegam você precisa de processos.
Mas calma, a gente fala disso depois.
Primeiro você precisa parar de fingir que é muito melhor do que eu só porque leu Bukowski. E pior, precisa parar de ler Bukowski só para parecer inteligente (eu sei que você faz isso, lê coisas só para dizer que leu essas coisas, aí, Deus).
#Aldeia Literária