Camila Veloso

Do nada o chique é ficar sozinha.

Hoje em dia, a solitude é como o quiet luxury da saúde mental, todo mundo quer mas não sabe onde compra, e só percebemos que alguém tem quando em pleno sábado a noite damos de cara com um stories de uma taça de vinho solitária, poderosa, que atesta aquilo que mais queremos: o amor por estar sozinha.

Uma pena para mim, uma patricinha que se ama, mas que não se aguenta mais.

Juro, eu claramente me amo porque criei um podcast e fico falando sozinha, e também falo sozinha com uma câmera sempre que gravo vídeos para a internet, você sabe. Por aqui temos uma experiência multiplataforma baseada no meu conhecimento e na minha capacidade de tagarelar sozinha.

Dito isso, eu NÃO QUERO ficar sozinha, porra.

Amo a minha própria companhia, mas odeio estar sozinha.

Odeio ser a minha única opção no sábado à noite.

Odeio ser a única pessoa que vai me abraçar e dizer que vai ficar tudo bem.

Odeio ser a única pessoa que vai topar ir para o Ibirapuera pedalar de tarde mesmo com previsão de chuva, porque provavelmente vai chover e nós vamos nos molhar, e pedalar na chuva gritando “uhul” é legal só na minha imaginação porque os pingos entram nos olhos e você não consegue ver nada e corre o risco de morrer.

Poxa, porque ninguém mais quer ir nesse rolê incrível?

E tudo bem, eu estou disposta a pedalar na chuva sozinha e viver meu próprio filme, mas o problema é que quando você fica sozinha, você se acostuma, e daí desaprende como se pede ajuda. Eu preciso chegar e dizer que eu não consigo fazer alguma coisa? Preciso expor traumas de infância, dizer que estou doente, sem carisma, xoxa, capenga?

MAGINA, NADA DISSO!

Eu consigo, faço tudo sozinha, olha só…. e daí acabo ficando mais sozinha, porque na vida adulta, conexões surgem do auxílio, nós já conversamos sobre isso.

Me sinto naquele filme, karate kid, tira casaco, bota casaco.

É pra ser independente ou não, porra?

E eu sei que estou misturando dois conceitos aqui, solidão com independência, mas na vida adulta das mulheres esses dois são quase a mesma coisa. 

Quando você é uma mulher forte e independente, parece que pedir ajuda não faz muito sentido. Nem para as suas amigas, sabe? É como se uma leoa aparecesse com medo de uma formiga pedindo ajuda, e daí as outras leoas olham pensando “mas ela consegue, ué”.

É assim.

Ninguém acredita na sua fraqueza, e por mais que eu odeie concordar com  todos os especialistas do Tik Tok, eu acho que isso acaba minando a sua energia sim.

Parece que precisamos escolher entre ser chique e sozinha ou ser dependente.

Ai, essa palavra tem uma vibe tão ruim.

Ser dependente é ruim, mesmo que traga amor, amigos, então na verdade, acho que estamos falando de rede de apoio.

Solitude é o caralho, todo mundo precisa de uma rede de apoio.

Até mesmo (sim) as leoas.

#Aldeia Literária